Texto e atuação

Rafael

Souza-Ribeiro
Direção
Dulce Penna
teatro Poeira
R. São João Batista, 104
09 seT a 22 ouT
Terças & quartas > 20h
Texto e atuação

Rafael

Souza-Ribeiro
Direção
Dulce Penna
teatro Poeira
R. São João Batista, 104
09 seT a 22 ouT
Terças & quartas > 20h
“É preciso ocupar a
linguagem para
reinventar o mundo.”

 

 

– GLoria Anzaldúa
“É preciso ocupar a
linguagem para
reinventar o mundo.”

 

– GLoria Anzaldúa

JONATHAN nasceu num mundo sem luz elétrica. Mas com vaga-lumes. Não havia telefones, menos ainda rede social. Mas havia silêncio. Ao longo de quase dois séculos, Jonathan testemunhou alguns dos maiores horrores produzidos pela humanidade. Escravização, genocídios. Ele ouviu quando explodiu a primeira bomba atômica e também quando um samba de Jorge Aragão ressoou em Marte, na voz de Beth Carvalho. Viu Impérios se erguerem e depois ruírem. Viu líderes perderem o brilho e outros surgirem das trevas.

Viu Josephine Baker dançar como seu corpo queria, viu Malala renascer com a força de mil fênices, viu Maria Firmina dos Reis lançar o primeiro romance abolicionista do Brasil, viu Marsha P. Johnson enfrentar a brutalidade e a ignorância. Jonathan sobreviveu ao exílio forçado, ao colonialismo, a duas guerras mundiais, uma guerra fria, sobreviveu ao fim dos Beatles, ao surgimento do Oasis, ao bug do milênio, a uma pandemia. No fundo, bem no fundo, Jonathan sobrevive a nós.

– Rafael Souza-Ribeiro

PEQUENO GLOSSÁRIO de JONATHAN


Casa do cacha-prego
lonjura indefinida, próxima ao lugar onde Judas perdeu as botas

Comeu o tocoespinafrou

Fé das unhasforma carinhosa de dizer “demônio trevoso”

Fudevubabado, confusão e gritaria

Ingrisiagritaria incompreensível, derivada de inglesia, ingleses falando

Insiqueradoobcecado, fascinado e anestesiado

Lambrecar toloscar

Magarefe açougueiro

Murundu amontoado de qualquer coisa

Porzana galinhão d’água que usa meia soquete

Testudine nome científico para tartarugas

Tirando uma palhacochilando enquanto o mundo explode

Toloscarlambrecar

Vendendo azeitep. da vida

O Dicionário Aurélio assim define a palavra MITO: “Fato ou passagem dos tempos fabulosos; tradição que, sob forma de alegoria, deixa entrever um fato natural, histórico ou filosófico; (sentido figurado) coisa inacreditável, sem realidade”. 

Poderíamos então simplesmente dizer que um mito é mentira? Que o tempo do mito é fora da história? Que ele sempre esconde alguma coisa, guarda uma mensagem a ser decifrada? 

O mito não parece estar muito preocupado com o tempo dos homens, com a verdade, e sua dimensão não cabe em um verbete. 

Para Jung, os mitos habitam a mente humana no chamado inconsciente coletivo, uma forma de memória compartilhada da experiência coletiva. Seja como for, sua presença é perene e não se tem notícia de cultura ou civilização que não possua suas mitologias para explicar a si mesma. Ao redor delas se erguem religiões, concepções de mundo, falácias, saberes milenares, teatro. 

O mito é da ordem do simbólico, não do significado. Não se deixa capturar facilmente. Que assim seja. Que permaneça livre.

Dulce Penna

Ficha Técnica

Texto e atuação Rafael Souza-Ribeiro

Direção Dulce Penna

Direção de produção Carolina Bellardi [Pagu Produções Culturais]

Preparação corporal Luciano Caten

Figurino Carla Ferraz

Desenho de Estampa Verônica Bechara

Costura Ateliê das Meninas

Visagismo e maquiagem Diego Nardes

Iluminação Paulo Denizot

Cenário Dulce Penna e Dodô Giovanetti

Cenotecnia Dianny Pereira e Dodô Giovanetti

Trilha sonora Arthur Ferreira

Operação de som Eder Martins de Souza

Arte gráfica Ludmila Valente [Brainstorm Design]

Assessoria de imprensa Lyvia Rodrigues [Aquela Que Divulga]

Fotografia Roberto Carneiro, Renato Mangolin e Sabrina Paz

Coordenação Geral Verde Flecha Cultural

Ficha Técnica

Texto e atuação Rafael Souza-Ribeiro

Direção Dulce Penna

Direção de produção Carolina Bellardi [Pagu Produções Culturais]

Preparação corporal Luciano Caten

Figurino Carla Ferraz

Desenho de Estampa Verônica Bechara

Costura Ateliê das Meninas

Visagismo e maquiagem Diego Nardes

Iluminação Paulo Denizot

Cenário Dulce Penna e Dodô Giovanetti

Cenotecnia Dianny Pereira e Dodô Giovanetti

Trilha sonora Arthur Ferreira

Operação de som Eder Martins de Souza

Arte gráfica Ludmila Valente | Brainstorm Design

Assessoria de imprensa Lyvia Rodrigues | Aquela Que Divulga

Fotografia Roberto Carneiro, Renato Mangolin e Sabrina Paz

Coordenação Geral Verde Flecha Cultural

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VERDE
FLECHA
CULTURAL